Glossário SPCS

Termos e siglas usados no dia a dia de proteção e automação de subestações

Este glossário reúne os principais termos e siglas utilizados em sistemas de proteção, controle e automação de subestações.

O objetivo não é trazer definições acadêmicas, mas explicar de forma direta o que cada termo significa e como ele aparece na prática do dia a dia.

Na área de proteção, é comum o uso de siglas em inglês e em português. Muitas vezes, ambas são utilizadas com o mesmo significado, dependendo da empresa, do projeto ou do fabricante.

Por exemplo:

TAF = FAT;

TAC = SAT;

RDP = DFR;

ET = TS.

Por isso, sempre que aplicável, as duas nomenclaturas são apresentadas.

A ideia é simples: você bate o olho no termo, entende rapidamente o que significa e segue o raciocínio.

Esses conceitos são explorados na prática no curso de Proteção de Linhas da SPCS Academy.

Navegue pelo Glossário:

A B C D E F G H I K L M N O P Q R S T U V W

🔹 A

• ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

Órgão responsável pela normalização técnica no Brasil. No âmbito de subestações, suas normas (como a NBR 6856 e NBR 6855) definem requisitos de desempenho, classes de exatidão e parâmetros de ensaio para equipamentos de medição e proteção, sendo a referência prioritária para o projeto e fabricação de materiais no sistema elétrico brasileiro.

• ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

Órgão regulador do setor elétrico brasileiro, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, responsável por regulamentar a prestação de serviços, fiscalizar concessões e gerir processos de leilão para ampliação do sistema de transmissão.

• AS - Arquitetura do Sistema

Documentação técnica que define a estrutura lógica e física da rede de comunicação da subestação. Envolve a especificação de protocolos, a hierarquia de conexão entre IEDs e servidores, e a integração de dispositivos de diferentes fabricantes para garantir a interoperabilidade do sistema

• AT – Alta Tensão

Nível de tensão elétrica entre 69 kV e 230 kV inclusive, utilizado para o transporte de grandes blocos de energia.

ATF – Autotransformador

Equipamento de pátio onde parte do enrolamento é comum aos circuitos primário e secundário, utilizado para interligar sistemas de alta tensão (ex: 500/230 kV) com alta eficiência.

🔹 B

• BI - Binary Input (Entrada Binária)

Ponto de entrada digital de um IED (dispositivo eletrônico inteligente) destinado a receber sinais de estado discretos (0 ou 1) de equipamentos externos. É fundamental para a supervisão de posição de disjuntores e seccionadoras, além de servir como gatilho para o processamento de lógicas de proteção e controle.

• BNA – Borne para Circuitos de Corrente Alternada

Terminal de conexão destinado especificamente aos circuitos de serviços auxiliares em CA, como iluminação, aquecimento e motores de ventiladores.

• BNC – Borne para Circuitos de Controle, Supervisão e Proteção

Terminal utilizado para a fiação de sinais de baixa potência, incluindo comandos de abertura/fechamento, alarmes e monitoramento de estados.

• BND – Bornes Seccionáveis para Circuitos de Trip

Bornes seccionáveis para circuitos de trip com chaves de isolamento que permitem abrir o circuito de disparo para a bobina do disjuntor, garantindo segurança durante testes e manutenções.

• BNI – Borne para Circuito de corrente

Borne utilizado para conexão dos circuitos de corrente (secundário de TC), fazendo a interface entre o campo e os IEDs no painel.

• BNP – Borne para Distribuição de Polaridade de Corrente Contínua

Ponto de conexão organizado para a distribuição dos barramentos positivo e negativo de corrente contínua (CC) essenciais para a alimentação da proteção.

• BNT – Borne para Circuitos de Interface

Bornes destinados à interligação de sinais entre painéis diferentes ou sistemas externos, como a interface entre a proteção e os equipamentos de teleproteção.

• BNU – Borne para Circuito de Potencial

Borne seccionável utilizado para conexão dos circuitos de potencial (secundário de TP), fazendo a interface entre o campo e os IEDs no painel.

• BO - Binary Output (Saída Binária)

Interface de saída configurável de um relé digital que traduz decisões lógicas internas em ações físicas no pátio ou em outros painéis. Geralmente opera através de contatos que enviam comandos de trip (disparo), fechamento ou sinalizações de alarme para o sistema de supervisão.

• BT - Bloco de Teste

Dispositivo de interface física montado em painéis que permite o isolamento seguro de circuitos de corrente e potencial de um relé. É utilizado para a injeção de sinais secundários durante ensaios funcionais e manutenções, garantindo que o equipamento seja testado sem causar desligamentos acidentais no sistema.

• BT – Baixa Tensão

Nível de tensão elétrica inferior a 1.000 V (1 kV), comumente operado em 127/220/380 V para serviços auxiliares e alimentação de sistemas de controle.

🔹 C

• CDC - Comutador de Taps sob Carga (On-Load Tap Changer)

Dispositivo eletromecânico do transformador que permite alterar a relação de transformação sob carga, regulando a tensão e o fluxo de potência do sistema. Sua operação modifica as correntes nos terminais, introduzindo desbalanços que devem ser considerados na proteção diferencial (ANSI 87) por meio do ajuste da característica de restrição (Slope), garantindo a estabilidade do relé.

• CT - Current Transformer (Transformador de Corrente)

Equipamento de medição que reduz as correntes do sistema de potência para níveis seguros (1 A ou 5 A) para alimentar os relés de proteção e medidores.

• CMM – Acionamento Monopolar tipo CMM

Mecanismo motorizado de seccionadoras ou disjuntores que permite a operação individualizada por polo (fase), permitindo esquemas de religamento monopolar.

• CPB – Control Pushbutton (Botão de Controle)

Dispositivo físico ou virtual (na IHM) utilizado para o comando manual de equipamentos ou para o reconhecimento de alarmes no sistema.

🔹 D

• DFF – Detalhamento Final do Sistema

Documento técnico de engenharia (também chamado de Workstatement) que contém a definição executiva final de toda a lógica e funcionalidade do sistema de proteção.

• DFR - Digital Fault Recording (Registrador Digital de Perturbação)

Equipamento ou função interna do IED dedicada a capturar oscilografias de alta amostragem e registros de eventos durante distúrbios no sistema elétrico.

• DF - Diagrama Funcional

Representação esquemática dos circuitos elétricos de proteção, comando e supervisão. Detalha as conexões físicas entre bornes, equipamentos de pátio e bobinas, permitindo a análise do funcionamento elétrico e a execução da fiação.

• DI - Diagrama de Interligação

Documento que detalha as conexões externas entre diferentes painéis ou entre a sala de relés e os equipamentos de pátio. Utiliza diferentes tipos de borneiras para organizar a cablagem e o roteamento de cabos de controle e força.

• DL - Diagrama Lógico

Representação das lógicas booleanas e algoritmos processados internamente pelos IEDs (relés). Utiliza portas lógicas e variáveis digitais para definir os critérios de atuação de funções de proteção, sem focar nas ligações elétricas físicas.

• DNP – Protocolo de Rede Distribuída

Protocolo de comunicação de dados utilizado para a telemetria e comando entre a subestação e o centro de controle (ex: COI/ONS).

• DST – Daylight Saving Time (Horário de Verão)

Parâmetro lógico de configuração que ajusta automaticamente o relógio interno dos IEDs para garantir a precisão da estampa de tempo (timestamp) nos registros de eventos.

• DTT – Direct Transfer Trip (Transferência Direta de Trip)

Esquema de teleproteção que envia um comando de desligamento imediato ao terminal remoto sem exigir que este detecte a falta localmente.

• DUTT – Direct Underreach Transfer Trip (Transferência Direta de Trip com Subalcance)

Lógica de teleproteção onde o disparo é enviado ao terminal remoto somente quando a proteção local detecta a falta em sua zona de atuação instantânea (Zona 1).

🔹 E

• EAT - Extra Alta Tensão
Classificação para níveis de tensão iguais ou superiores a 345 kV (como 440 kV, 500 kV e 765 kV). Equipamentos operando nesta faixa pertencem obrigatoriamente à Rede Básica do sistema interligado e devem seguir os requisitos mínimos de proteção coordenados pelo ONS.


• ED – Entrada Digital (Binary Input)

Ponto de entrada digital de um IED (dispositivo eletrônico inteligente) destinado a receber sinais de estado discretos (0 ou 1) de equipamentos externos. É fundamental para a supervisão de posição de disjuntores e seccionadoras, além de servir como gatilho para o processamento de lógicas de proteção e controle.

• EFP – End Fault Protection (Proteção de Fim de Linha ou Zona Morta)

É a lógica que protege o pequeno trecho de barra entre o TC e o disjuntor, que fica desprotegido se o disjuntor estiver aberto.

• EPE - Empresa de Pesquisa Energética

Empresa pública federal responsável por prestar serviços na área de estudos e pesquisas para o planejamento do setor energético, subsidiando o Ministério de Minas e Energia na formulação de políticas para o setor elétrico brasileiro.

• ERAC - Esquema Regional de Alívio de Carga

Sistema de proteção sistêmica que atua na rejeição de carga em estágios predefinidos para restabelecer o equilíbrio entre geração e carga. No Brasil, é implementado para evitar o colapso do sistema por variações de frequência.

• ET - Especificação Técnica

Documento integrante do Projeto Básico que detalha os requisitos técnicos, funcionais e normativos (como as normas ABNT e IEC) que um equipamento ou sistema deve atender. Serve como base para a compra de ativos e para a elaboração do projeto executivo.

🔹 F

• FAT - Factory Acceptance Test (Teste de Aceitação em Fábrica)

Conjunto de ensaios construtivos, funcionais e lógicos realizados nas instalações do fabricante antes do envio dos equipamentos para o campo. Tem como objetivo verificar se painéis, IEDs e sistemas de proteção estão em conformidade com as Especificações Técnicas (ET) e com o projeto executivo, validando lógicas, parametrizações, interligações e o funcionamento geral do sistema.

• FT – Função de Transmissão

Termo normativo que engloba o conjunto de equipamentos (linhas, transformadores) responsáveis por uma conexão elétrica específica na rede, cujas proteções devem operar de forma coordenada.

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🔹 G

• GMG – Grupo Motor Gerador

Sistema de emergência composto por motor a combustão e gerador, acionado automaticamente para manter os serviços essenciais da subestação em caso de falta total de energia externa.

• GNSS – Global Navigation Satellite System (Sistema Global de Navegação por Satélite)

Tecnologia (como o GPS) utilizada para sincronizar os relógios de todos os IEDs de uma rede com precisão de microssegundos, permitindo a análise precisa de cronologia de eventos.

• GOOSE – Generic Object Oriented Substation Event (Evento de Subestação Orientado a Objetos)

Mensagem de alta prioridade da norma IEC 61850 que trafega via rede Ethernet, substituindo a fiação física de cobre para a troca de intertravamentos e sinais de trip entre relés (comunicação horizontal).

• GPS - Global Position System (Sistema de Posicionamento Global)

Sistema de satélites que fornece referência de tempo precisa para sincronização de IEDs, servidores e registradores de perturbação. Atua como relógio mestre (Grandmaster Clock), garantindo estampas de tempo coerentes e permitindo a análise precisa de eventos no sistema elétrico.

🔹 H

• HMI - Human Machine Interface (Interface Homem-Máquina)

Ponto de interação tecnológica (frequentemente traduzido como IHM nos documentos) que permite ao operador humano monitorar e controlar o sistema de proteção digital. Fornece acesso amigável a sequências de eventos, registros de oscilografia e localização de faltas, além de permitir a execução de comandos manuais ou automáticos através de telas e botões programáveis.

• HSR - High-availability Seamless Redundancy

Protocolo de redundância de rede (geralmente em topologia de anel) que transmite dados simultaneamente por dois caminhos distintos para garantir tempo de comutação nulo e perda zero de pacotes em caso de falha de um link.

• HTTP – Hypertext Transfer Protocol (Protocolo de Transferência de Hipertexto)

Protocolo de comunicação de rede suportado por IEDs modernos para o acesso remoto a interfaces web de configuração, visualização de medições e diagnóstico.

• HVAC - High Voltage Alternating Current (Corrente Alternada em Alta Tensão)

Sistema convencional de transmissão de energia elétrica que utiliza corrente alternada em níveis de alta tensão (acima de 100 kV), como as subestações de 230 kV e 500 kV. Baseia-se no uso de transformadores de potência para elevar a tensão na geração e baixá-la nos centros de carga.

• HVDC - High Voltage Direct Current (Corrente Contínua em Alta Tensão)

Tecnologia de transmissão de energia que utiliza corrente contínua em níveis elevados de tensão. É aplicada em elos de interligação que exigem estações conversoras (retificadores e inversores), sendo objeto de requisitos específicos de proteção e supervisão conforme as normas do ONS para garantir a estabilidade do fluxo de potência.

🔹 I

• IEC - International Electrotechnical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional)

Organização internacional responsável por normas técnicas em tecnologias elétricas e eletrônicas. No SPCS, define padrões essenciais (como a IEC 61850) que garantem interoperabilidade entre IEDs e critérios técnicos de medição e proteção.

• IED – Intelligent Electronic Device (Dispositivo Eletrônico Inteligente)

Equipamento multifuncional microprocessado (relé digital) que integra funções de proteção, controle, medição e automação de subestações.

• IHM – Interface Homem-Máquina

Ponto de interação tecnológica (frequentemente traduzido como IHM nos documentos) que permite ao operador humano monitorar e controlar o sistema de proteção digital. Fornece acesso amigável a sequências de eventos, registros de oscilografia e localização de faltas, além de permitir a execução de comandos manuais ou automáticos através de telas e botões programáveis.

• IOC – Instantaneuous Overcurrent (Sobrecorrente Instantânea)

Função de proteção (ANSI 50) que comanda o disparo imediato, sem temporização intencional, quando a corrente ultrapassa um limite pré-ajustado (pickup).

• IRIG-B – (Inter-Range Instrumentation Group Time Code Format B) Sinal de Sincronização de Tempo

Padrão de sinal de sincronização temporal utilizado para alinhar os relógios internos de todos os IEDs da subestação com precisão de microssegundos, essencial para a análise de cronologia de eventos.

🔹 K

• KVM – Keyboard, Video and Mouse (Teclado, Vídeo e Mouse)

Interface que permite controlar múltiplos servidores por um único conjunto de periféricos, fazendo a ponte entre as CPUs nos painéis e a operação na mesa de comando.

🔹 L

• L/D – Liga / Desliga

Abreviatura padrão utilizada em chaves de comando físico ou lógicas de controle digital para representar as ordens de fechar (Ligar) ou abrir (Desligar) equipamentos de manobra.

• LAN – Local Area Network (Rede Local de Comunicação)

Infraestrutura de rede digital interna da subestação utilizada para interligar IEDs, switches e gateways de comunicação para a troca de dados em tempo real.

• LC - Lista de Cabos

Documento do projeto executivo que relaciona todos os cabos de controle e força da subestação. Detalha a identificação (tag), o tipo de cabo, a seção dos condutores, a origem e o destino, servindo como guia fundamental para a execução do lançamento da cablagem e das interligações entre os equipamentos de pátio e os painéis.

• LEO – Line Pickup (Partida de Linha)

Sigla para Line Pickup. Lógica de detecção de energização de linha, utilizada para sensibilizar a proteção no momento do fechamento do disjuntor, muitas vezes associada à função de proteção contra fechamento sobre falta (SOTF).

🔹 M

• MC – Módulo de Comunicação

Interface de hardware integrada ao IED responsável por gerenciar os protocolos de troca de dados (como RS485 ou Ethernet) entre o relé e os sistemas externos.

• MCB – Miniature Circuit Breaker (Mini Disjuntor)

Equipamento de proteção termomagnética utilizado para proteger circuitos de baixa tensão e serviços auxiliares contra sobrecargas e curtos-circuitos.

• MD – Multimedidor Digital

Equipamento eletrônico instalado em painéis de serviços auxiliares que processa e exibe grandezas elétricas como tensão, corrente, potência e fator de potência.

• MF – Medidor de Faturamento

Equipamento de medição de alta precisão destinado exclusivamente ao registro de energia para fins comerciais e faturamento entre os agentes do setor elétrico.

• MME - Ministério de Minas e Energia

Órgão do Governo Federal responsável pela formulação de políticas para o setor elétrico brasileiro, ao qual estão vinculadas instituições como a ANEEL, para fins de regulação, e a EPE, para o planejamento energético.

• MMS - Manufacturing Message Specification (Comunicação Cliente-Servidor)

Protocolo de comunicação da norma IEC 61850 utilizado para a troca de dados e mensagens de controle entre os IEDs e o sistema supervisório via rede Ethernet. Suporta altas taxas de transmissão, permitindo uma supervisão eficiente do sistema sem perda de velocidade (comunicação vertical).

• MT – Média Tensão

Nível de tensão elétrica intermediário (ex: 13,8 kV ou 34,5 kV) utilizado para alimentação de serviços auxiliares internos da subestação ou redes de distribuição regional.

🔹 N

• NA – Normalmente Aberto

Estado de um contato auxiliar que permanece aberto enquanto o equipamento principal está em sua posição de repouso ou desenergizado.

• NF – Normalmente Fechado

Estado de um contato auxiliar que permanece fechado enquanto o equipamento principal está em sua posição de repouso ou desenergizado.

🔹 O

• OLTC - On-Load Tap Changer (Comutador de Taps sob Carga)

Dispositivo eletromecânico do transformador que permite alterar a relação de transformação sob carga, regulando a tensão e o fluxo de potência do sistema. Sua operação modifica as correntes nos terminais, introduzindo desbalanços que devem ser considerados na proteção diferencial (ANSI 87) por meio do ajuste da característica de restrição (Slope), garantindo a estabilidade do relé.

• ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico

Órgão responsável pela coordenação, supervisão e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN).

• OPGW – Optical Ground Wire (Cabo Para-raios com Fibra Óptica)

Cabo para-raios de linhas de transmissão que contém fibras ópticas internas, servindo para proteção contra descargas atmosféricas e como meio físico para teleproteção e dados.

• OPLAT – Onda Portadora em Linha (Carrier Wave over High Voltage Lines)

Sistema que utiliza os próprios cabos de potência como meio físico para transmitir sinais de proteção e voz entre terminais.

🔹 P

• POTT – Permissive Overreach Transfer Trip (Transferência Permissiva com Sobrealcance)

Esquema de teleproteção onde o trip instantâneo só ocorre se o relé local detectar a falta em sobrealcance e receber simultaneamente uma permissão digital do terminal remoto.

• PR – Pára-raios

Equipamento de pátio destinado a proteger a isolação dos componentes da subestação contra sobretensões transitórias causadas por descargas atmosféricas ou manobras no sistema.

• PRP - Parallel Redundancy Protocol

Protocolo de redundância de rede que permite a transmissão simultânea de mensagens por dois caminhos físicos independentes e ativos. Garante um tempo de comutação nulo em caso de falha de um dos segmentos da rede, assegurando a máxima confiabilidade na troca de dados críticos de proteção.

• PT - Potential Transformer (Transformador de Potencial)

Equipamento de instrumentação que reduz a tensão primária do sistema para valores secundários normalizados e seguros (normalmente 115V). É utilizado para alimentar os circuitos de medição, proteção e controle, garantindo a isolação galvânica entre a alta tensão e os dispositivos eletrônicos do painel.

• PTP - Precision Time Protocol

Protocolo de sincronização de tempo de alta precisão utilizado para alinhar os relógios internos de IEDs e servidores na rede da subestação. É fundamental para assegurar que todos os eventos e registros de oscilografia possuam estampas de tempo coerentes, com precisão exigida de 1 microssegundo para evitar erros na análise de falhas.

• PUTT – Permissive Underreach Transfer Trip (Transferência Permissiva com Subalcance)

Esquema de teleproteção que envia sinal de trip quando a falta é detectada em Zona 1 (subalcance), exigindo supervisão direcional no terminal oposto para acelerar o desligamento.

• pu – Por Unidade

Sistema de normalização de grandezas elétricas onde os valores reais são divididos por valores de base, facilitando cálculos em sistemas com diferentes níveis de tensão e potências.

🔹 Q

• QDC – Quadro de Corrente Contínua

Painel de distribuição de serviços auxiliares em CC (geralmente 125 Vcc), responsável por alimentar os circuitos críticos de proteção, controle e bobinas de trip.

• QDE – Quadro de Cargas Essenciais

Barramento de serviços auxiliares que alimenta equipamentos cuja indisponibilidade compromete a segurança operacional, como sistemas de emergência e comunicação.

• QDN – Quadro de Cargas Não Essenciais

Barramento destinado a alimentar cargas de serviços gerais da subestação, como iluminação externa e tomadas de manutenção.

• QEO – Painel de Supervisão

Painel de automação que centraliza as informações de monitoramento do pátio, alarmes de grupo e a interface com o sistema supervisório de nível superior.

• QPC – Quadro de Proteção e Controle

Painel metálico que abriga os IEDs (relés) e chaves de comando específicos para a proteção de vãos de linha, transformadores ou barras.

• QoS – Qualidade de Serviço

Parâmetro de configuração de redes Ethernet que garante a prioridade absoluta para mensagens de proteção (GOOSE) sobre o tráfego de dados comum.

🔹 R

• RA – Resistor de Amortecimento

Componente instalado no circuito secundário de TPs para mitigar fenômenos de ferroressonância ou em transformadores de aterramento para limitar correntes de falta.

• RB – Redbox (Redundância)

Dispositivo de rede (Redundancy Box) utilizado para conectar equipamentos sem suporte nativo a protocolos de redundância (HSR/PRP) em anéis de comunicação IEC 61850.

• RDP – Registrador Digital de Perturbação

Equipamento ou função interna do IED dedicada a capturar oscilografias de alta amostragem e registros de eventos durante distúrbios no sistema elétrico.

• REF – Restricted Earth Fault (Proteção de Terra Restrita)

Função de proteção baseada no princípio diferencial, extremamente sensível para detectar curtos-circuitos internos em enrolamentos de transformadores estrela-aterrada.

• RMT - Rede de Média Tensão

Nível de tensão elétrica intermediário (ex: 13,8 kV ou 34,5 kV) utilizado para alimentação de serviços auxiliares internos da subestação ou redes de distribuição regional.

• RSTP - Rapid Spanning Tree Protocol

Protocolo de rede utilizado para garantir a redundância e a disponibilidade da rede local (LAN) da subestação. Ele previne a formação de loops físicos e permite a rápida reconfiguração do caminho de dados em caso de falha de um link ou switch, sendo essencial para manter a comunicação operativa entre os IEDs e o supervisório.

• RTU - Remote Terminal Unit

Equipamento microprocessado (frequentemente referido como UTR nos documentos) que atua como interface entre os dispositivos de pátio e o sistema supervisório SAGE. É responsável por coletar sinalizações de alarmes, estados de disjuntores/seccionadoras e realizar o processamento de comandos remotos via protocolos de comunicação como o ModBus RTU.

• RTC – Relação de Transformação de Corrente

Fator numérico que define a proporção entre a corrente primária e a secundária em um TC (ex: 2000:1 A), fundamental para a parametrização do relé.

• RTP – Relação de Transformação de Potencial

Fator numérico que define a proporção entre a tensão primária e a secundária em um TP (ex: 500kV / 115V), essencial para a medição de tensão e direção.

• Rx – Recepção de Sinal

Indicação genérica para a entrada de dados ou sinais recebidos em um módulo de comunicação ou canal de teleproteção.

• RxGOOSE – Recepção de GOOSE

Variável lógica que representa o recebimento de mensagens digitais de alta velocidade via barramento de processo, conforme a norma IEC 61850.

🔹 S

• SAGE – Sistema Aberto de Gerenciamento de Energia

Software de sistema supervisório (SCADA) utilizado para o controle remoto da subestação e aquisição de dados em tempo real pelos centros de operação.

• SAT - Site Acceptance Test (Teste de Aceitação em Campo)

Ensaios e validações técnicas realizados diretamente na instalação final (subestação) após a montagem e interligação dos equipamentos. Este processo visa confirmar que o sistema de proteção e controle funciona integralmente em seu ambiente operativo real, complementando os testes realizados anteriormente em fábrica (FAT).

• SAux - Serviço Auxiliar

Conjunto de equipamentos responsável pelo fornecimento de energia elétrica em baixa tensão, operando tanto em corrente alternada (CA) quanto em corrente contínua (CC). Sua função primordial é garantir a alimentação de painéis, equipamentos de pátio, sistemas de iluminação e serviços de emergência, assegurando a autonomia dos sistemas de proteção e comando.

• SCADA - Supervisory Control and Data Acquisition (Supervisão e Aquisição de Dados)

Sistema centralizado de software e hardware que realiza o monitoramento e o controle remoto dos equipamentos da subestação em tempo real. Ele processa as informações enviadas pelos IEDs e permite aos operadores visualizar alarmes, estados de dispositivos e executar comandos de manobra através de interfaces gráficas (Ex: O SAGE é um SCADA).

• SCL – Substation Configuration Language (Linguagem de Configuração de Subestação)

Padrão de arquivo XML definido pela norma IEC 61850 para descrever configurações de IEDs, topologia e fluxos de dados de comunicação digital.

• SD – Saída Digital (Binary Output)

Interface física do IED (geralmente um relé eletromecânico interno) que fecha um contato seco para executar trip de disjuntores ou acionar alarmes externos.

• SFP – Small Form-factor Pluggable (Módulo Óptico)

Interface compacta de comunicação usada para conectar cabos de fibra óptica a switches de rede ou portas de comunicação de relés.

• SNTP – Simple Network Time Protocol (Protocolo de Tempo de Rede)

Protocolo utilizado para distribuir o sincronismo temporal aos IEDs através da rede Ethernet, garantindo a concordância de milissegundos nos registros de eventos.

• SOTF – Switch-On-To-Fault

Lógica de Fechamento sobre Falta que sensibiliza a proteção instantânea no momento em que um disjuntor é fechado contra um curto-circuito mantido.

• SPCS – Sistema de Proteção, Controle e Supervisão

Conjunto integrado de hardware, software e redes que executa toda a automação e proteção de uma subestação moderna.

• SPS – Synchronous Parallelism Supervisor (Supervisor de Paralelismo)

Lógica ou equipamento responsável por coordenar a operação conjunta de transformadores ou bancos de capacitores, garantindo a divisão correta de carga.

• SV – Sampled Values

Mensagens digitais que transmitem os valores instantâneos amostrados das ondas de corrente e tensão, eliminando a necessidade de fiação analógica entre pátio e sala.

• SW – Switch de Rede

Equipamento de infraestrutura responsável pelo chaveamento de pacotes de dados na LAN da subestação, essencial para o tráfego de GOOSE e MMS.

🔹 T

• TAC - Testes de Aceitação em Campo

Ensaios e validações técnicas realizados diretamente na instalação final (subestação) após a montagem e interligação dos equipamentos. Este processo visa confirmar que o sistema de proteção e controle funciona integralmente em seu ambiente operativo real, complementando os testes realizados anteriormente em fábrica (FAT).

• TAF - Testes de Aceitação em Fábrica

Conjunto de ensaios construtivos, funcionais e lógicos realizados nas instalações do fabricante antes do envio dos equipamentos para o campo. Tem como objetivo verificar se painéis, IEDs e sistemas de proteção estão em conformidade com as Especificações Técnicas (ET) e com o projeto executivo, validando lógicas, parametrizações, interligações e o funcionamento geral do sistema.

• TC – Transformador de Corrente

Equipamento de medição que reduz as correntes do sistema de potência para níveis seguros (1 A ou 5 A) para alimentar os relés de proteção e medidores.

• TDD – Transferência Direta de Disparo

Envio de um comando de trip remoto imediato via teleproteção (também conhecido como DTT), sem exigir que o terminal receptor detecte a falta localmente.

• TFTP – Trivial File Transfer Protocol (Protocolo de Transferência de Arquivos)

Protocolo simples utilizado para a descarga automática de oscilografias e arquivos de configuração armazenados na memória dos IEDs .

• TOC – Time Overcurrent (Sobrecorrente Temporizada)

Função de proteção codificada como ANSI 51, que atua após um tempo definido por uma curva inversa de acordo com a magnitude da corrente.

• TP – Transformador de Potencial

Equipamento de medição que reduz a tensão primária para valores secundários padronizados (ex: 115 V) para uso em proteção, medição e controle.

• TPC – TP Capacitivo

Tipo de transformador de potencial que utiliza um divisor de tensão capacitivo, permitindo também o acoplamento de sinais de comunicação via sistema Carrier.

• TPI – TP Indutivo

Transformador de potencial baseado no princípio da indução eletromagnética, preferível para medições de alta precisão de tensão residual e fluxo magnético.

• TR – Transformador

Termo genérico para transformadores de potência ou autotransformadores (ATF) destinados à conversão de níveis de tensão para transmissão de energia.

• TSA – Transformador de Serviços Auxiliares

Transformador de pequena potência dedicado a rebaixar a tensão para alimentar os sistemas internos da subestação (luz, força e carregadores).

• TS - Technical Specification

Documento integrante do Projeto Básico que detalha os requisitos técnicos, funcionais e normativos (como as normas ABNT e IEC) que um equipamento ou sistema deve atender. Serve como base para a compra de ativos e para a elaboração do projeto executivo.

• TS – Terminal Server

Equipamento que permite o acesso remoto e a gestão de múltiplos dispositivos seriais através de uma interface de rede IP.

• Tx – Transmissão de Sinal

Indicação de saída de dados ou comando enviado por um módulo de comunicação ou equipamento de teleproteção.

🔹 U

• UAC-SA – Unidade de Serviços Auxiliares

Sigla para Unidade de Aquisição e Controle de Serviços Auxiliares CA e CC. É o IED responsável por monitorar o estado dos disjuntores de baixa tensão, retificadores e bancos de baterias, integrando esses dados ao sistema supervisório.

• UCD – Unidade de Controle Digital

Dispositivo eletrônico (controlador de bay) focado na execução de lógicas de intertravamento, controle de manobras de seccionadoras e disjuntores, e verificação de consistência de estados da subestação.

• UCPD – Unidade de Controle e Proteção Digital

IED multifuncional que integra em um único hardware as funções de proteção elétrica e as lógicas de controle e automação de um vão ou equipamento.

• UMD – Unidade de Medição Digital

Equipamento eletrônico (multimedidor) instalado em painéis para processar e exibir localmente grandezas como tensão, corrente, potências (ativa, reativa e aparente) e frequência.

• UPD – Unidade de Proteção Digital

Relé microprocessado cuja função primordial é a execução de algoritmos de proteção (como 21, 87, 50/51) para detectar faltas e comandar o trip imediato dos disjuntores.

• USCA – Unidade de Supervisão e Controle do GMG

Sistema automático responsável pela supervisão geral do grupo gerador, garantindo a comutação automática de fontes e o suprimento de cargas essenciais em caso de blecaute na subestação.

🔹 V

• Vi – Variável Interna ao IED

Sinal lógico ou operando processado internamente no software do relé (via FlexLogic ou SELogic), utilizado para criar intertravamentos e funções customizadas.

• VR – Variável de Rede

Informação digital recebida ou enviada entre diferentes IEDs através de protocolos de comunicação (como GOOSE ou MMS), substituindo a fiação física de cobre.

• VS – Válvula de Segurança

Dispositivo de proteção mecânica em transformadores e reatores que atua por alívio de pressão interna, enviando um sinal de trip ao relé em caso de faltas internas graves.

🔹 W

• WAN – Wide Area Network (Rede de Longa Distância)

Infraestrutura de comunicação digital externa utilizada para o tráfego de sinais de proteção e telemetria entre subestações geograficamente distantes.

• WD – Watchdog

Função de auto-diagnóstico (Monitor de Auto-Verificação) que supervisiona continuamente a integridade do hardware e software do IED, sinalizando falha interna se houver travamento do processador.

• WI – Weak Infeed

Lógica de Terminal Fraco utilizada em esquemas de teleproteção (27WI) para permitir que um terminal com baixa contribuição de corrente de falta ainda assim consiga liberar o trip local por subtensão.

• WS - Workstatement

Termo que identifica documentos técnicos de diretrizes do projeto, como o "Detalhamento Final (DFF) do SPCS", que serve de referência para a execução e configuração do sistema.

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Sem enrolação, direto ao que realmente importa no dia a dia da engenharia.